O que olhar em cada ambiente, o que anotar no termo de recebimento e quais prazos garantem os reparos depois da entrega.
Publicado em 22 de setembro de 2026
Receber as chaves de um apartamento novo é o momento em que o comprador tem mais força para exigir reparos da construtora e, curiosamente, o momento em que menos usa essa força. A vistoria de entrega existe para que os defeitos fiquem registrados antes da mudança, quando a responsabilidade ainda é indiscutível.
Na entrega, a construtora apresenta um termo de vistoria e recebimento. O que for anotado ali entra na lista de reparos, com prazo; o que não for anotado vira discussão depois. Os defeitos aparentes, que qualquer pessoa atenta perceberia, têm prazo curto de reclamação pelo Código de Defesa do Consumidor: 90 dias contados da entrega. Passado esse prazo, a construtora pode alegar que o problema foi aceito ou causado pelo uso.
A regra prática é simples: tudo o que for encontrado precisa constar por escrito no termo, com foto, antes da assinatura. Se o espaço do formulário não bastar, anexe uma lista assinada pelas duas partes.
Peça o Manual de Uso, Operação e Manutenção do imóvel, com os prazos de garantia de cada sistema e as manutenções que ficam por conta do proprietário. Deixar de fazer uma manutenção prevista no manual pode anular a garantia daquele item. Peça também as plantas atualizadas de elétrica e hidráulica, que evitam furar um cano na instalação do primeiro armário.
A vistoria de entrega não encerra a responsabilidade da construtora. O Código Civil estabelece que o construtor responde por cinco anos pela solidez e pela segurança da obra, e a norma técnica ABNT NBR 17170 recomenda prazos de garantia para cada sistema, como revestimentos, esquadrias e impermeabilização. Os vícios ocultos, que só aparecem com o uso, podem ser reclamados a partir do momento em que se manifestam.
O que a vistoria bem feita muda é a prova: com o registro da entrega, fica claro o que já existia e o que surgiu depois, e a discussão sobre a culpa praticamente desaparece.
Muita coisa desta lista pode ser conferida pelo próprio comprador. O engenheiro acrescenta três coisas: método, porque segue um roteiro e não deixa sistema de fora; instrumentos, como nível a laser, detector de umidade e medidor de tensão; e um laudo com responsabilidade técnica, que pesa na negociação com a construtora e, se necessário, na Justiça.
Em Ribeirão Preto, com o número de lançamentos entregues na zona sul nos últimos anos, a vistoria de entrega virou rotina para quem compra na planta. Ela custa uma fração de um único reparo mal resolvido.
Se o assunto for um imóvel usado, vale ler também sobre as cinco patologias que aparecem em toda vistoria.