Por que o valor dos imóveis pesa no inventário, quando os herdeiros precisam de laudo e o que separa um laudo que resolve de um que gera nova briga.
Publicado em 24 de setembro de 2026
No inventário, o imóvel costuma ser o bem mais valioso e, por isso mesmo, o que mais gera discussão. O valor atribuído a ele define quanto cada herdeiro recebe na partilha, pesa no imposto e pode ser questionado por qualquer interessado. Um número sem fundamento atrasa o processo; um laudo técnico bem feito costuma encerrar a discussão.
Quando os herdeiros estão de acordo e cumprem os requisitos da lei, o inventário pode ser feito em cartório, por escritura pública, com acompanhamento de advogado. É mais rápido e mais barato. Mesmo assim, o laudo evita que o acordo de hoje vire contestação amanhã, porque registra o critério usado para chegar aos valores.
Na via judicial, o laudo apresentado por uma das partes funciona como parecer técnico. Se o juiz nomear perito, o laudo bem fundamentado orienta os quesitos e reduz a margem de divergência.
Um ponto que costuma passar despercebido: o valor do imóvel pode precisar ser informado em mais de uma data. Para fins do imposto, a referência costuma ser a data da abertura da sucessão, isto é, a data do falecimento. Para a partilha entre os herdeiros, interessa o valor atual, na data em que os bens serão divididos. Em inventários que duram anos, a diferença entre as duas datas pode ser grande, e o laudo precisa deixar claro a que data o valor se refere.
Laudo de avaliação é diferente de uma opinião de valor. Para ter peso, ele segue a norma ABNT NBR 14653 e traz, no mínimo:
É esse conjunto que permite a qualquer outro profissional refazer o raciocínio e chegar a um resultado próximo. Um valor sem memória de cálculo, mesmo que esteja certo, é facilmente contestado.
Em apartamentos, a comparação direta com unidades semelhantes no mesmo bairro costuma bastar. Em casas, é comum avaliar o terreno e a construção separadamente, porque a construção perde valor com a idade e com o estado de conservação. Em terrenos maiores, ou em áreas com potencial para novos empreendimentos, a avaliação pode considerar o aproveitamento possível do lote. Escolher o método errado é uma das causas mais comuns de laudo contestado.
Para entender a diferença entre laudo e Estudo de Mercado, e quando cada um basta, leia também quanto custa avaliar um imóvel em Ribeirão Preto.