O que a norma de reformas em edificações determina, quando a reforma precisa de responsável técnico e o cuidado com as paredes em prédios de alvenaria estrutural.
Publicado em 29 de setembro de 2026
Quem vai reformar um apartamento costuma se surpreender com o pedido do síndico: um plano de reforma assinado por engenheiro ou arquiteto, com anotação de responsabilidade técnica. O pedido não é burocracia do condomínio. Ele segue a norma ABNT NBR 16280, que trata da gestão de reformas em edificações, e protege o próprio morador.
A norma estabelece que a reforma capaz de afetar a segurança, a estrutura, as instalações ou os sistemas do prédio deve ter um plano elaborado por profissional habilitado. Esse plano descreve o que será feito, os materiais, as etapas, os prazos, o horário dos serviços e o destino do entulho, e é apresentado ao responsável pela edificação, normalmente o síndico, antes do início da obra.
O síndico analisa o plano, pode pedir esclarecimentos ou a opinião de um profissional de confiança do condomínio, e autoriza ou não a reforma. Durante a obra, o condomínio pode verificar se o que está sendo feito corresponde ao que foi aprovado.
Nem toda troca de piso exige engenheiro, mas a regra geral é esta: se a intervenção pode afetar outras unidades ou a estrutura, precisa de responsável técnico. Exemplos:
Em muitos prédios, principalmente os de padrão econômico e médio construídos nas últimas décadas, as paredes não são só vedação: elas são a própria estrutura do edifício. É a chamada alvenaria estrutural. Nesses prédios, retirar ou abrir uma parede, ou mesmo cortar o bloco na horizontal para embutir um conduíte, pode comprometer a segurança de todo o edifício.
O manual do proprietário e o projeto estrutural indicam quais paredes são estruturais. Na dúvida, a regra é não mexer antes da avaliação de um engenheiro.
A anotação de responsabilidade técnica (ART, no caso do engenheiro, registrada no CREA; ou RRT, no caso do arquiteto, registrado no CAU) identifica quem responde tecnicamente pela reforma. Se algo der errado, como uma infiltração no apartamento de baixo ou uma fissura na estrutura, há um profissional identificado, com responsabilidade legal, e um projeto que demonstra o que foi feito. Sem ela, o morador responde sozinho perante o condomínio e os vizinhos.
Ela também vale na hora de vender: uma reforma documentada, com projeto e ART, transmite segurança ao comprador e ao banco, e evita questionamentos na vistoria do financiamento.